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A importância do diagnóstico do Streptococcus agalactiae como política de saúde pública

O Streptococcus agalactiae é um Coco Gram-positivo, que foi isolado pela primeira vez por em 1887, e durante décadas foi reconhecido como agente etiológico da mastite bovina, porém, não como causador de infecções em humanos (SILVEIRA, 2006). Em 1933, Rebecca Lancefield desenvolveu uma classificação para estas bactérias baseada nas características antigênicas do carboidrato C da parede celular. Em 1934, diferenciou sorologicamente o estreptococo hemolítico bovino, classificando-o como pertencente ao Grupo B. A partir daí, o Streptococcus agalactiae foi também denominado Estreptococo do Grupo B de Lancefield (EGB) (CASTELLANO FILHO, 2008).

O Streptococcus agalactiae pode causar quadros clínicos leves de infecção, sendo ela vaginal e urinária ou até mesmo infecções graves como celulite e fascite; na gravidez, além das doenças citadas pode causar endometrite puerperal, amnionite e infecções de feridas na mãe. Seu maior índice são os graves de septicemia e meningites nos recém-nascidos, além da ocorrência de partos prematuros ou nascimento de crianças com baixo peso corporal. Muitos neonatos, particularmente prematuros, nascidos de mãe colonizadas pelo Estreptococo do Grupo B e talvez infectados ainda no útero, podem estar criticamente doentes ao nascer, tendo um baixo prognóstico e uma mortalidade de 15% a 20% (BORGER, 2005).

Para prevenir a infecção do neonato, recomenda-se fazer quimioprofilaxia da gestante que estiver colonizada pelo Streptococcus agalactiae ou que possuir fatores de risco para a contaminação; porém vários estudos têm mostrado que a detecção no trato genital/anal do Estreptococo do Grupo B no período final da gestação é a conduta mais efetiva para prevenir doenças do que os procedimentos baseados apenas nos fatores de risco, evitando assim possíveis complicações para a criança e custo para a maternidade (BORGER, 2005).

É importante que a pesquisa deste microrganismo seja feita no final da gestação, entre a 35º e a 37º semana, pois a colonização pode ser intermitente. Assim gestantes que não estavam colonizadas no meio da gestação, podem apresentar cultura positiva no final da mesma e vice-versa; mulheres colonizadas e tratadas no início ou meio da gestação podem se recolonizar no final da gravidez (Guia de Condutas do CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PRESENTION, 2002).

O índice de isolamento do microrganismo depende da metodologia laboratorial empregada e dos sítios anatômicos a partir dos quais são coletadas as amostras. Quanto à obtenção do material biológico, a coleta realizada nos dois locais, região inferior da vagina e o ânus, aumentam a possibilidade de identificação de Streptococcus agalactiae entre 5% a 27% quando comparada à coleta apenas da região inferior da vagina (ALMEIDA, 2009; BORGER, 2005; POGERE, 2005; SILVEIRA, 2006). A coleta deve ser feita com swabs e os mesmos devem ser colocados em meios de transporte por um prazo de até 4 dias. Após a coleta, o swab deve ser retirado do meio de transporte e incubado em Caldo Todd Hewitt por 18-24h à 35-370C. Após esse período, realizar a subcultura no Ágar Cromogênico para Strepto B. A característica das colônias deve ser avaliada após 24-48 horas.

Na Renylab você encontra todo o material necessário para o diagnóstico de Streptococcus agalactiae:

– Swab com meio de transporte (cód. 3739,3740,3741);

– Caldo Todd Hewitt (cód. 1266);

– Ágar Cromogênico para Strepto B (cód. 3471).

Bibliografia:

  1. https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/moda/pesquisa-de-streptococcus-agalactiae-em-gestantes-como-rotina-laboratorial/29013
  2. SILVEIRA, J. L. S. Prevalência do Streptococcus agalactiae em gestantes detectadas pela técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Tese de Mestrado, Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.
  3. CASTELLANO FILHO, D. S.; TIBIRIÇÁ, S. H. C.; DINIZ, C. G. Doença Perinatal associada aos estreptococos do Grupo B: aspectos clínico-microbiológicos e prevenção. HU Revista (Juiz de Fora). 2008; v.34: p.127-134.
  4. POGERE, A.; ZOCCOLI, C. M.; TOBOUTI, N. R.; FREITAS, P. F.; D’ACAMPORA, A. J., ZUNINO, J. N. Prevalência da colonização pelo estreptococo do grupo B em gestantes atendidas no ambulatório de pré-natal. Rev. Bras. de Ginecol. Obstet. 2005; 27(4): p. 174-180.
  5. BORGER, I. L. Estudo da colonização por Streptococcus agalactiae em gestantes atendidas maternidade escola da UFRJ. Tese de Mestrado, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2005.
  6. COSTA, H. P. F.; BRITO, A. S. Prevenção da Doença Perinatal pelo Estreptococo do Grupo B. Educação Médica Continuada, Sociedade de Pediatria, 2009.
  7. MIURA, E; MARTIN, M. C. Group B streptococcal neonatal infections in Rio Grande do Sul, Brasil. Revista do inst. de Med. Trop. de SP. São Paulo, 2001; v.43, n.5, p.243-246.
  8. BERALDO, C.; BRITO, A. S.; SARIDAKIS, H. O.; MATSUO, T. Prevalência da colonização vaginal e anorretal por estreptococo do grupo B em gestantes do terceiro trimestre. Rev. Bras. de Ginecol. Obstet. 2004; 26(7): p. 543-549.
  9. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Prevention of Perinatal Group B Streptococcal Disease. – Revised Guidelines from CDC. Morbidity and Mortality and Mortality Weekly Report, Atlanta, 2002; v. 51, n. RR-11, p. 01-22.
  10. COSTA, A. L. R.; FILHO, F. L.; CHEIN, M. B. C.; BRITO, L. M. O.; LAMY, Z. C.; ANDRADE, K. L. Prevalência de colonização por estreptococos do grupo B em gestantes atendidas em maternidade pública da região Nordeste do Brasil. Rev. Bras. de Ginecol. Obstet. 2008; v.30, p. 274-280.
  11. ALMEIDA, A.; AGRO, J.; FERREIRA, L. Estreptococo B Hemolítico do Grupo B – Protocolo de Rastreio e Prevenção de Doença Perinatal. Consensos em Neonatologia. Sociedade Portuguesa de Neonatologia, 2009, p.191-197.
  12. Ministério de Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Pré-Natal e Puerpério – Atenção Qualificada e Humanizada – Manual Técnico. 3º ed. Brasília: Editora MS, 2006.